segunda-feira, 16 de agosto de 2010

1º verão de 2009

"(...) Toda a impotência, toda a distância, toda saudade, todo bem-querer perdido, toda ausência que me priva de você, isto tudo... isto tudo é meu. Não é por ser simples que é fácil, sweet, não passa nem perto de ser. Fácil é usar chinelos com pregos nas solas, fácil é receber ao invés das rosas todos os espinhos, fácil é ficar sem fumar, tomar café ou comer chocolate, fácil é viver trancafiada dentro de um quarto, fácil é ter a pele rasgada, fácil é quebrar uma perna, fácil é usar roupas feitas com lixas. Fácil é tudo que não tem teu nome, porque, meu amor,

difícil é viver sem você."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

like an aryan

Poucas coisas me fazem sentir mais pena de mim mesma do que você;


mas acontece, meu amor, que quem não sabe a hora de chegar... sabe menos ainda qual a hora de partir.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

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cerca de ferro fundido e a cama feita de pinho
como é doce não te ter mais e de ti sentir ciúmes
forraram a minha cama com súplicas, soluços.
vai, procura teu caminho...
onde queiras, e que Deus te guie
já não te ferem os ouvidos palvras descontroladas.
já ninguém espera a vela queimar até o dia seguinte.
finalmente conseguimos paz e dias incoentes
tu choras - eu não valho uma de suas lágrimas.

(Anna Akhmátova)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

déjà vu

Não espero de ti mais do que voz. Tua omissão já me feriu demais, como não vês? Te procurei primeiro, antes de saber de todas as tuas outras coisas bonitas, porque via nas tuas palavras uma razão que procurei a vida toda, uma firmeza que nunca consegui alcançar. Te procurei a princípio porque havia em tudo que dizias o que sempre me faltou. Quando tua fonte secou comigo, meu amor, me perdi. Não sei mais onde procurar e nem em quem achar o que, até hoje, só tu me deste. Ainda que sejam todas aquelas mentiras sinceras que sempre me interessaram tanto, diz. Ainda que seja para repetir tudo e cometer os mesmos erros honestos que já partiram tanto o meu quanto o seu coração, diz. Diz, porque preciso ouvir; preciso saber, preciso sentir. Preciso. Não brinco quando digo que preciso de ti como criança precisa de cobertor, como preto precisa de branco. Se foi mais importante para mim do que para ti, confessa. Eu jamais te recriminaria – não precisa reafirmar que só fizeste por si mesmo. Mas eu já não alcanço mais o que dizem estes teus silêncios, estas tuas meias frases, estes teus gestos que eu não vejo; eu não me satisfaço mais apenas com a tua respiração do outro lado da linha, e deverias saber.
Eu chorei, meu querido, eu chorei porque sempre houve algo a ser terminado, alguma coisa beliscava pedindo para ser inteira e eu não podia dar. Nunca pude. Um par não se completa se depois do um não vier o dois. Um laço não é um laço se não existirem duas pontas e eu me gastei demais tentando dar nó em fita de uma ponta só. Tua falta de coragem foi meu impasse, teu impasse, nosso impasse, porque, meu amor, se covardia não fosse algo tão daninho para nós eu teria, certamente, me casado contigo. Tenho tanta certeza disso hoje quanto tenho de que qualquer coisa prematura demais entre eu e tu foi partida com tanta força que nunca mais vai se recompor.
Muito tempo. Liga outra hora. Amanhã, depois. Se vê, a gente se vê. Tchau, outro. Simples como alguma coisa que morria antes mesmo de chegar a nascer, uma mancha do passado que se criou já superada. Uma formalidade que limita de maneira imoral tanta coisa que necessitava ser dita e se calou. Calei. Calaste. Calamos. Brincando assim no escuro de um jogo qualquer sobre orgulho e ego ferido eu não posso, eu não posso, eu não posso, meu amor, ser a primeira a falar. Não cabe a mim quebrar este vazio tão pesado. Não posso, assim como também não conseguiria, porque este espaço sem cor que há agora é tão duro que minhas fracas forças não seriam capazes, mas tu não reages. O feitiço virou contra o feiticeiro e a mesma razão que tanto me encantou há tempos atrás é agora a minha desgraça – é essa tua maldita mania de estar tão acostumado a estar sempre certo que não desata tuas mordaças. Me admiras pela minha falta de orgulho quando se trata de amor, mas toda admiração esconde à sete chaves um pouquinho de frustração, recalque, incapacidade. Admiras tanto que eu não tenha vergonha de ajoelhar em praça pública te pedindo para voltar só porque não és capaz de tanto. Só porque não foste talhado para sucumbir a todas essas armações, mas te faltaram olhos para enxergar que o que corroeu teu coração foi a fraqueza, e não a incapacidade. Os mesmos olhos que faltaram também a mim para enxergar que todo o amor que eu senti quando te olhei pela primeira vez não poderia ser dividido; era só meu. Se eu te explicasse tudo isso sem metáforas ou cordialidades, entenderias? Preciso te abraçar para dizer que te amo ou odeio e não tenho mais muito tempo de espera. Ontem mesmo chorei de saudade.
Se daqui alguns anos qualquer um desses amores que vem e voltam me perguntar se tudo que escrevo agora ainda vive, tenho uma certeza insuportável de que direi que sim – que sempre viverá. Porque ainda lacrimejo ao lembrar do teu cheiro e porque, acima de tudo, ainda lamento que a vida tenha sido tão indiferente a mim, sentindo o gosto de amargo na língua todos os dias da minha vida, ainda que se passem mil anos, ainda que se passem mil vidas, ainda que se passem mil amores, ainda que se supere mil traumas. Ainda que qualquer coisa. Não esqueço nem os menos doloridos, meu querido, quem dirá uma coisa como essa que ainda me aperta e sufoca tanto. Fiz o que pude, pedi o que podia ser pedido e rezei o quanto a minha pequena fé em nada permitia. I give up, darling.
Por que não quiseste? Por que só em mim ardeu tanto a separação? Por que só na minha mente a imagem da partida se faz tão nítida todas as vezes em que acordo e vou dormir? Por que meu sentimento por ti não esmorece mediante situação nenhuma? Meu coração se partiu em tantos pedaços que ainda que quisesses voltar agora, pediria que esperasse, porque não há espaço em mim para mais nenhuma indecisão.

Tu que sempre sabe das coisas, diz-me.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

a cem por hora, meu amor

(...)
e no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
diminui o meu amor

em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
passas praças, viadutos
nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar...

no Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana o mar sou eu
como é perversa a juventude do meu coração
que só entende o que é cruel, o que é paixão

e as paralelas dos pneus n'água das ruas
são duas estradas nuas
em que foges do que é teu

no apartamento, oitavo andar
abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu...

(Paralelas - Belchior)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

through all these sleepless nights

- Você tirou meu sono. Ninguém tira meu sono.
- Já o meu...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

from me to you(r pain)

coloca tuas mãos em mim
e me abraça com todos os teus pedaços
porque tudo que existe em ti é meu
e arranca de mim com força toda essa certeza
de que tanto amor vai me apodrecer e depois esquece
de tudo o que carrego nas costas
me queimando a boca com a tua vontade
enquanto sou tua sou tua sou tua
apesar do cansaço
apesar das feridas
e seca deste rosto essas lágrimas que vêm de longe
sujas de tanta poeira de tanta estrada
e de tanto desamor
pra desaguar sobre mim somente a doçura
e a querência destas mãos leves
que me deixam com olhos acesos de bicho
todas as noites porque espero espero espero
sem cessar um só instante e sigo me desfazendo a cada passo
embrigada de toda esta existência forçada
que me acorrenta a toda essa infelicidade que já não me pertence mais
e afasta de uma vez por todas de mim toda essa eternidade de solidão

quinta-feira, 10 de junho de 2010

_

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.

(Charles Bukowski)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

desata os nós dessa loucura

deixa do lado de fora esse manto
e esquece tuas feridas na calçada
mora em mim que eu deixo as portas sempre abertas,

vem.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

oh, pedaço de mim

(...) lava os olhos meus
que a saudade é o pior castigo.