quinta-feira, 29 de abril de 2010

Presente

o meu amor tem um jeito manso que é só seu
e que me deixa louca quando me beija a boca,
a minha pele toda fica arrepiada
e me beija com calma e fundo
até minh'alma se sentir beijada...

o meu amor tem um jeito manso que é só seu
que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
com tantos segredos lindos e indecentes,
depois brinca comigo, ri do meu umbigo
e me crava os dentes

eu sou sua menina, viu? e ele é o meu rapaz
meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

o meu amor tem um jeito manso que é só seu
que me deixa maluca, quando me roça a nuca
e quase me machuca com a barba mal feita,
e de pousar as coxas entre as minhas coxas
quando ele se deita

o meu amor tem um jeito manso que é só seu
de me fazer rodeios, de me beijar os seios
me beijar o ventre e me deixar em brasa,
desfruta do meu corpo como se o meu corpo
fosse a sua casa!

eu sou sua menina, viu? e ele é o meu rapaz
meu corpo é testemunha do bem que ele me faz...

(Chico Buarque)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

a vida é doce?

e de repente o telefone toca
e é você do outro lado me ligando,
devolvendo minha insônia,
minhas bobagens.

(Lobão)

terça-feira, 30 de março de 2010

The Dreamers

my own Isabelle and Theo

domingo, 28 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

sozinha

às vezes no silêncio da noite
eu fico imaginando nós dois,
eu fico ali, sonhando acordado
juntando o antes, o agora e o depois...

por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
tô me sentindo muito sozinho

não sou nem quero ser
o seu dono
é que um carinho às vezes
cai bem...
eu tenho os meus desejos e planos
secretos!
só conto prá você
mais ninguém

por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ela de repente me ganha?

quando a gente gosta
é claro que a gente cuida,
fala que me ama
só que é da boca prá fora
ou você me engana
ou não está madura

onde está você agora?

(Peninha)

sábado, 20 de março de 2010

bluffin' with my muffin

- sabe quando um amontoado desse tamanho de amor vira um sentimento maldoso de tão grande?
- isso depende do que você faz com o amor, ele é como massinha de modelar e você o deixa como quiser.
- mas eu amo tanto que transborda, explode e respinga amor em todo mundo...
- Bruna, você é uma vagabunda, isso sim.

segunda-feira, 8 de março de 2010

nós, os Incondicionais

Não posso mais me culpar pela sua incapacidade de ler meus silêncios. Não posso mais, meu querido, carregar esta cruz que é tão maior do que o que meu corpo frágil pode carregar. De uma vez por todas, não tenho mais minha própria permissão para embaçar minha visão com a fumaça de um fogo que já não mais existe há tempo demais para que eu ainda ache que é possível vê-lo aceso outra vez. Não desisto por conformismo, mas porque a solidão me sugou até não restar nem o vácuo, o completo vazio. Vão-se as chuvas, mas ficam-se as poças, meu amor, onde piso todos os dias com os pés cansados seguindo ordens de uma cabeça dura que teima em não trocar de caminho – na próxima tentativa, talvez, ela não esteja mais lá para molhar meus sapatos já mofados.
Perder você foi como procurar incessantemente uma palavra de meu idioma em um dicionário de língua estrangeira. Todos os dias, todas as horas, como uma função automática que eu exercia sem precisar raciocinar direito; obcecada. Exatamente da mesma forma como te amei, e te amo,
sem parar.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

o sol através do vidro

... ou os tentáculos da lua.

Amor é um pouco como água. Um pouco como vento, um pouco como barulho. Tão fácil de ler se os olhos estão atentos, meu bem, tão claro. Nasce do turbulento, do calmo, do caos e da leveza, em todos os lugares, por acaso, em um tempo incontável e não linear, escondido no espaço, assim como o momento em que tua cabeça se chocou contra meu muro e o universo nos abraçou como filhas. Minha pele ainda arde, mesmo depois dos dias, das semanas, dos meses; arde porque tua humanidade se encontrando com a minha foi armadilha sem razão alguma, fez fogueira nos teus olhos tão escuros e agora queima queima queima fazendo de nós fumaça, nos transformando lentamente em cinzas. Logo nós duas, minha querida, tão parecidas, tão inocentes, iguais na alma e no corpo, tão pequenas...
Surda. Surda – era o que você estava no primeiro momento em que chamei teu nome e ninguém me respondeu. Eu te amo; é o que me lembro de ter dito, mas estava só, tão só quanto apenas os seres humanos conseguem ser, e houve eco. Minha voz sendo obrigada a voltar e a entrar à força nos meus próprios ouvidos, rasgando minha cabeça de uma ponta a outra, me lembrando que sou a única habitante de um mundo estranho que conheci por culpa da solidão.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

um solo solitário

though i said some things to hurt you
well it was only out of fear

(Paul McCartney)