o amor não é algo completo.
se bem que ainda não decidi se não o considero completo, ou se o considero ambicioso demais.
um sentimento não decidido assim não deveria entrar em corações menos decididos ainda, como o meu; sabe, isso causa uma confusão danada. de repente é isso, você está:
feliz
triste
feliz
triste
feliz
triste
e então você sente:
saudade
alegria
saudade
alegria
saudade
alegria
e aí você pensa que:
é bom
é ruim
é bom
é ruim
é bom
é ruim.
penso que quando se ama, mas quando de fato se ama mesmo, nunca se está satisfeito. o amor é um bichinho pretencioso, p'ra não dizer arrogante. sempre haverá do que sentir falta e pelo que chorar, ainda que aparentemente esteja tudo dentro do combinado, tudo nos conformes; mas de alguma forma, em algum lugar, algo te incomoda e diz que pode haver mais, e se abre um buraco dentro de você que te força a procurar mais, e não se acha. é quando se chega ao pelo que sentir falta, pelo que chorar. um impulso vem bem de dentro, de baixo, do fundo, e te empurra com força para um lugar desconhecido (lembre-se: você nunca havia saído da sua própria concha antes), e quando se dá conta você ja está chutando pombas na rua, fumando cigarros de pessoas que você acabou de conhecer, brigando com a família, pensando em casamento, juntando dinheiro para a possível fuga, pensando na hipótese do suicídio caso a pessoa te largue, e etc. e onde é que se chega? bem, a lugar nenhum. é preciso admitir que não se chega a lugar nenhum, e essa é a melhor parte. o final sempre é feliz, mesmo que ocorra o tal suicídio planejado como saída de emergência, porque não se vai a lugar nenhum. um lapso de vida passou por você, e você viveu, mais do que ja havia vivido em toda sua vida, e algumas vezes ele passa, em outras fica por bastante tempo, e em raras vezes te agarra para sempre, mas qualquer que seja a estadia deste raio vital em você, ele não te leva a lugar nenhum. e valeu a pena. todo [tipo de] amor vale a pena. gosto de comparar tal sentimento a um livro, mas um daqueles livros os quais só de ler você pensa ter conhecido metade do mundo, mas aí você tem que almoçar e se da conta de que não saiu do seu próprio quarto. talvez amor seja mesmo essa coisa de conhecer os sete céus e os sete infernos sem sair do lugar, ou ir até os nuvens com os pés no chão.
sim, talvez seja.
acredito que seja.
é.
eu amo. (porque amor, p'ra mim, é verbo instransitivo)
domingo, 21 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
i let you go.
não cassoes
dos meus sambas tristes
das minhas olheiras
das minhas noites vazias de sexta-feira
das minhas mãos frias.
não te esqueças
que foi preciso mais do que alguns quilômetros
que quem me matou foi o mesmo mal que faz mal a ti
que a mim o cansaço não vence (que sou bicho teimoso, desde os astros)
que esqueci minha vida doída.
vamos,
não sejas covarde
mate logo o que anda te corroendo
só prometas que não vais lembrar
de dar uma chance a mim
que já não mereço mais.
ofereças tua boca ao mundo
e não peques mais assim, que coração nenhum é feito de metais.
vá, e não te atrevas a olhar para trás
fico aqui com minha vida
(entre encontros e despedidas)
e meus cigarros
que tu tanto odeias.
vá, e não se remoa com o que perdeu
que de lembranças vivo eu.
finalmente compreendi
saudade nenhuma resiste à perfeição,
não guardarei mágoa, e nem raiva
pelos olhos inchados
pelas noites em que não dormi
pelas horas que passei
enlouquecendo, nascendo, morrendo
pelos quilos que perdi
pelas velas que acendi em vão.
estarei em pé, como sempre estive
não te preocupes comigo
porque agora...
eu te deixo ir.
em paz.
dos meus sambas tristes
das minhas olheiras
das minhas noites vazias de sexta-feira
das minhas mãos frias.
não te esqueças
que foi preciso mais do que alguns quilômetros
que quem me matou foi o mesmo mal que faz mal a ti
que a mim o cansaço não vence (que sou bicho teimoso, desde os astros)
que esqueci minha vida doída.
vamos,
não sejas covarde
mate logo o que anda te corroendo
só prometas que não vais lembrar
de dar uma chance a mim
que já não mereço mais.
ofereças tua boca ao mundo
e não peques mais assim, que coração nenhum é feito de metais.
vá, e não te atrevas a olhar para trás
fico aqui com minha vida
(entre encontros e despedidas)
e meus cigarros
que tu tanto odeias.
vá, e não se remoa com o que perdeu
que de lembranças vivo eu.
finalmente compreendi
saudade nenhuma resiste à perfeição,
não guardarei mágoa, e nem raiva
pelos olhos inchados
pelas noites em que não dormi
pelas horas que passei
enlouquecendo, nascendo, morrendo
pelos quilos que perdi
pelas velas que acendi em vão.
estarei em pé, como sempre estive
não te preocupes comigo
porque agora...
eu te deixo ir.
em paz.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
03/04/2007
essa noite eu me senti
tão sozinha que pensei ter visto Deus;
não há algum Deus além de mim
e eu posso pensar que Deus sou...
e escrevo.
em vários lugares
mas eu tenho medo de espelhos da alma
se dizem que é bonito:
não é elaborado
é solidão
não é poesia
é exato.
tristeza por vaidade
talvez por querer chamar atenção.
tão sozinha que pensei ter visto Deus;
não há algum Deus além de mim
e eu posso pensar que Deus sou...
e escrevo.
em vários lugares
mas eu tenho medo de espelhos da alma
se dizem que é bonito:
não é elaborado
é solidão
não é poesia
é exato.
tristeza por vaidade
talvez por querer chamar atenção.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Samba de orly
pede perdão
pela duração dessa temporada
mas não diga nada
que me viu chorando.
(Tom & Vinicius)
pela duração dessa temporada
mas não diga nada
que me viu chorando.
(Tom & Vinicius)
terça-feira, 2 de setembro de 2008
E se realmente gostarem?
caio f.
se o toque do outro de repente for bom? bom, a palavra é essa. se o outro for bom para você. se te der vontade de viver. se o cheiro do suor do outro também for bom. se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. o pé, no fim do dia. a boca, de manhã cedo. bons, normais, comuns. coisa de gente. cheiros íntimos, secretos. ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. e se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. você também tem cheiros. as pessoas têm cheiros, é natural. os animais cheiram uns aos outros. no rabo. o que é que você queria? rendas brancas imaculadas? será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. o amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. se amor for a coragem de ser bicho. se amor for a coragem da própria merda. e depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. o que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. porque então você se ama também.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
ato ∞
a vida me pregou outra peça.
parece-me agora que começa outro ato da minha eterna encenação e assim sigo fazendo da minha vida um cenário da minha tristeza.
"as possibilidade de felicidade são egoístas, meu amor."
parece-me agora que começa outro ato da minha eterna encenação e assim sigo fazendo da minha vida um cenário da minha tristeza.
"as possibilidade de felicidade são egoístas, meu amor."
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Para um outro alguém quê.
às vezes era difícil imaginar o que ele estaria pensando, um garoto calado e, de repente, um olhar fixo e a tentativa de reter todos os sons e imagens que pudesse na mente, por saber de sua memória ruim, para lembrar mais tarde, quando enfim tivesse ido embora. e era todo o tempo essa dúvida em mim, que parecia impossível e ao mesmo tempo tão fácil de ser respondida quando nos encaixávamos em beijos demorados ou nos misturávamos em alguma cama, e então eu não sabia qual braço era o meu e qual era o dele, pedaços de mim perdidos em pedaços dele e eu sabia o que ele estaria pensando naquela hora; da mesma forma que ele devia (tenho certeza) saber o que se passava em mim, e eu só conseguia pensar em como, meu deus, como e da onde havia saído aquela coisa tão bonita que surgiu tão de repente. sentíamos muito sono, principalmente ele, por não dormir há dias, mas eu não me importava - e o som do coração dele batendo devagar era como música para dormir.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
acerca de viver:
caio f.
a vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. sim, existir é incompreensível e excitante. às vezes que tentei morrer foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilo que eu gosto - mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem.
segunda-feira, 31 de março de 2008
a taste of.
os únicos momentos em que eu deixo de sentir o gosto da tua boca é quando eu sinto o gosto dos cigarros na minha.
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