quarta-feira, 3 de novembro de 2010

minha mãe e minha filha... minha irmã, minha menina

Acontece que no momento em que penso em você, o telefone toca. Sem razão alguma uma nuvem de desespero estaciona sobre a minha cabeça porque penso que estás em perigo e é tiro e queda. Ouvimos a mesma música coincidentemente no mesmo instante (a mesma que ouvimos repetidamente o dia todo, eu cá e tu lá) e somos acomedidas pelo mesmo mal todas as noites. Então me diz, meu amor, me diz se estamos de verdade vivendo a mesma vida, porque até as roupas tuas que ficaram aqui em casa eu estou usando. Me diz qual ilusão foi maior, a de estar contigo ou a de pensar que seria fácil para mim te deixar para trás; a culpa que não me larga, que não me deixa fechar os olhos, a faca de dois legumes que é a minha vida - e a cada maço que abro ouço tua voz pedindo baixinho que te dê um cigarro, que o teu acabou, que sabe-como-é, e sei que é mentira porque noite passada te dei um outro maço inteirinho de presente e você nem abriu. Em cada canto dessa cidade, meu bem, em cada estacionamento de shopping, supermercado, rua, meio-fio, bar, metrô, favela, vejo você. Dividi contigo todos os lugares que mais amo, e estive também contigo em todos aqueles que mais odiei, e até onde nunca te levei comigo vejo tua sombra imaginando o que você faria se pudesse ter estado ali. A verdade é que não posso deixar de dividir cada esquina deste lugar com a tua presença enquanto viver aqui, porque esta cidade é tua, e não minha. Esta cidade e tudo mais o que eu te dei e não posso mais tomar de volta. Sinto sua falta todos os dias da minha vida, minha querida... da tua mão leve, dos teus lábios fininhos e rosas, do teu cheiro de flor, do teu colo macio, da tua doçura de menina - ainda que escondida por debaixo de cinco capas -, da tua voz doce, da tua risada tímida, dos teus olhos pretos como o céu durante noites em que não se vê a lua, da tua pele branca como neve; de tudo que ninguém nunca reparou em você e que vejo com tanta facilidade que me parece um absurdo sem tamanho dizerem que nada disso existe. Como não vêem, por Deus, que você é a mulher mais linda de todo mundo?
Não demore, meu bem, que não posso esperar para sempre. Não demore muito pra entender de uma vez por todas que we belong together.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

mas sobretudo, apesar do saco-cheio

Paulo Scott

duas e meia, lembrando de conversa que tive com casal no momento em que saia da praça a caminho do hotel (isso foi ontem por volta das nove e meia), os dois super jovens e acadêmicos e empolgados falando de poesia e do quanto maravilhosa deve ser a vida de um poeta, lá pelas tantas eu disse: os leitores é que salvam a poesia, a poesia vive no silêncio e nas formas de desespero, poetas são caras inúteis que falam uns dos outros pelas costas, só acredito nos poetas gays e nos poetas que se mataram ou morreram fuzilados, o resto sobra nas categorias impostor e auto-ajuda, exatamente como eu, eles ficaram rindo sem graça, pedi desculpa e confessei que a poesia na minha vida não servia pra nada

(ithaca road, a lindeza: http://pauloscott.wordpress.com/)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

(...) all i know is that you're the nicest thing i've ever seen

às vezes que acho que nunca existiu e nem nunca vai existir nada no mundo que seja mais lindo que você. nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Satori in São Paulo

Abracei o travesseiro, enrolei as pernas contra o cobertor e dormi sem enxergar a ausência de você ao meu lado. Quando acordei, era a sua blusa que eu vestia, o seu cigarro que ardia meus pulmões e o seu bilhete a última coisa que li antes do porre apagar todos os meus sentidos. Não posso evitar viver assim cercada de coisas tuas esquecidas por aqui porque toda as vezes que penso em me livrar de uma vez por todas da sua presença, é como se sentisse outra vez a dor que senti quando te arrancaram de mim – como se me arrancassem a pele a sangue frio. Mañana sin ti, sol frio, café velho, moscas en la casa, ressaca. Não a ressaca da noite anterior, meu bem, mas a ressaca que vive em mim; a ressaca deste tempo que vivi contigo, da embriaguez do que sempre me pareceu amor, e que de repente se foi e se desfez como que da noite pro dia, e agora é só a tristeza, a lembrança, a saudade. A dor. A-maior-dor-do-mundo, com calma, para ser lido com o peso do cansaço destes meus olhos que já não agüentam mais chorar, que já não agüentam mais ficar abertos dias e noites, que já não agüentam mais te caçar por aí em todas as esquinas por onde passo sem encontrar nem restos de você.

I don't know if life is greater than death, but love was more than either. Ou pelo menos é o que diz uma história bonita, mas me explica, minha querida, me explica... o que acontece quando um amor é menor do que a própria vida e acaba enquanto a morte vem rondando traiçoeira maior do que qualquer coisa que possa ter vindo antes?

Não acontece nada.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

estoy enloqueciendome


e eu sei por que você se foi...


mas não consigo entender.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

If she's gone I can't go on

Ter uma vida longe de você é como ter o céu tão baixo sobre mim que cada vez que tento me levantar, bato com a cabeça nele e caio sentada outra vez, como se não pudesse nunca sair do mesmo lugar. Ainda que eu consiga cerrar todas as correntes, desatar todos os nós, tirar de meus pés todos estes pesos que não me permitem movimento algum, o obstáculo de maior distância entre nós é você simplesmente não precisar mais da minha presença, da minha ajuda, do meu amor. Você já me esqueceu, e eu não vejo um jeito de fazer você lembrar de todas as vezes que ouvi você dizer que eu era tudo... Chorei feito criança, se soubesses. Escrevi um milhão de nomes teus em folhas brancas, gritei o dobro de vezes e liguei três dias seguidos; me perdoa. Me perdoa se não sei te deixar, se não consigo te ver indo embora, se não posso me desprender de um passado nem tão distante assim. Me perdoa, minha querida, se insisto sem esperanças neste tormento de não te deixar em paz.


You know I gave you the world
You had me in the palm of your hand
So, why the love went away?
I just can't seem to understand
Thought it was me and you, baby
Me and you until the end
But I guess I was wrong...

domingo, 3 de outubro de 2010

etílicamente sentimental

Quantas garrafas existem entre o que eu deveria fazer pra ser feliz e tudo que eu faço pra não ser?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

confusion in her eyes that says it all

she's lost control
and she's clinging to the nearest passer by
she's lost control
she's lost control again
she's lost control
she's lost control again
she's lost control
i've lost control
she's lost control again
she's lost control
she's lost control again
she's lost control

i could live a little better with the myths and the lies
when the darkness broke in, i just broke down and cried
i could live a little in a wider line
when the change is gone, when the urge is gone
to lose control when here we come.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

this is not a love song

- Tua felicidade não tá no Rio de Janeiro.
- Por quê?
- Porque tua felicidade não tá em lugar nenhum.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Je l'aime toujours quand vous parlez français

come-se pouco,
ama-se muito
e bebe-se mais.


(Pardonnez-moi de vous voler, vous manquez. Et je ne parle pas français.)