segunda-feira, 19 de julho de 2010

a cem por hora, meu amor

(...)
e no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
diminui o meu amor

em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
passas praças, viadutos
nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar...

no Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana o mar sou eu
como é perversa a juventude do meu coração
que só entende o que é cruel, o que é paixão

e as paralelas dos pneus n'água das ruas
são duas estradas nuas
em que foges do que é teu

no apartamento, oitavo andar
abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu...

(Paralelas - Belchior)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

through all these sleepless nights

- Você tirou meu sono. Ninguém tira meu sono.
- Já o meu...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

from me to you(r pain)

coloca tuas mãos em mim
e me abraça com todos os teus pedaços
porque tudo que existe em ti é meu
e arranca de mim com força toda essa certeza
de que tanto amor vai me apodrecer e depois esquece
de tudo o que carrego nas costas
me queimando a boca com a tua vontade
enquanto sou tua sou tua sou tua
apesar do cansaço
apesar das feridas
e seca deste rosto essas lágrimas que vêm de longe
sujas de tanta poeira de tanta estrada
e de tanto desamor
pra desaguar sobre mim somente a doçura
e a querência destas mãos leves
que me deixam com olhos acesos de bicho
todas as noites porque espero espero espero
sem cessar um só instante e sigo me desfazendo a cada passo
embrigada de toda esta existência forçada
que me acorrenta a toda essa infelicidade que já não me pertence mais
e afasta de uma vez por todas de mim toda essa eternidade de solidão

quinta-feira, 10 de junho de 2010

_

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.

(Charles Bukowski)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

desata os nós dessa loucura

deixa do lado de fora esse manto
e esquece tuas feridas na calçada
mora em mim que eu deixo as portas sempre abertas,

vem.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

oh, pedaço de mim

(...) lava os olhos meus
que a saudade é o pior castigo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

a versão nova de uma velha história

Te sinto chegar como sinto o cheiro doce de café emanar das paredes da minha casa assim que chego cansada em um finalzinho de tarde qualquer, com as mãos frias que se aquecem quando seguram firme a caneca e que também me esquenta por dentro quando me desce garganta abaixo. Vens de longe com uns olhos pequeninos que me dizem que carregar o peso de uma estrada não é cansativo quando a única coisa que queres é sentir a noite cair enquanto se enrodilha em meu corpo como bicho abandonado que procura abrigo. Trazes para mim de presente o ar de uma cidade que mora em mim e que cabe dentro da palma da minha mão, inalcançável que é, e me pertence dolorosamente sem que ninguém possa remediar minha saudade. Escolho minuciosamente o bom que me sobrou da vida para me despir de toda tristeza que me veste inteira e te dar beijos leves, porque já não posso mais oferecer do meu amor a dor dos laços desfeitos em nós, das conclusões vazias, dos pensamentos afogados, do fracasso, das mágoas acumuladas em mim como velharias esquecidas. Sobre estar só, eu sei, mas procuro incessantemente uma fuga e sei também que ela existe porque a procura também tu, e já guio meu rumo nos teus passos, comendo a poeira dos teus sapatos e engolindo como vinho todas as verdades saem da tua boca, me embriagando cada vez mais da tua inflação de sentimentos e vendo transbordar esta ausência quase palpável para todo canto de mim, que não existe mais um só pedaço do meu ser que não tenha teu nome escrito. Grito por dentro a todo instante que minha vontade é correr, sem saber exatamente pra onde, te acompanhando para onde fores porque espaço nenhum é mais meu do que aquele onde você simplesmente existe, e me basta. Não sou de grandes aspirações, bem sabes, e só exijo do mundo aquilo que me pode ser dado, mas tenho uma certeza imperdoável de que te encontrar e te guardar dentro de mim é a única coisa maior que eu que mereço e que posso agarrar sem medo. Enxergo uma distância absurda bem diante do meu nariz e teimo em te sentir o tempo todo ao meu lado, como uma presença colada em mim, que faz parte de mim, que sou eu; e que sou eu porque és meu reflexo e em nenhum minuto cessas de nascer em mim e para mim, e já fica difícil saber quem sou sem tua referência. Te amo dentro de um tempo que não passa, nunca passou – minha idade nunca foi mais que uma grande estagnação e só tenho agora, enquanto plano sobre um mundo grande demais para o meu tamanho, um único desejo: fica comigo.

domingo, 30 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

vem fazer a festa

no pátio lá de casa
diga que eu não presto,
mas diga mesmo assim -
me jogue na parede,
me leve na garupa
que eu não tenho culpa de ser assim...

(Péri)

terça-feira, 18 de maio de 2010

te guardar no meu ninho

morar dentro de você.